Abri
a porta e lá estava você, parada na minha frente, olhando pro chão esperando a
porta abrir. Nossa! Como você é linda. Eu não sou de reparar nessas coisas até
mesmo porque eu não entendo, mas você fez alguma coisa no cabelo, não fez? Eu
até queria ficar te olhando aqui na porta do meu apartamento, torcendo pra
algum vizinho passar e parar pra falar comigo, quem sabe eu não tomasse coragem
pra te apresentar.
Te
seguro pela mão, te levo até o sofá e te sirvo um cálice de vinho. Sabe? Eu nunca
liguei pra essa coisa de safra de vinho, mas fiz questão de me informar sobre
essa só pra te impressionar.
Fui
à cozinha ver o forno e descobri que o que eu estava preparando pra nós passou
do ponto. Vem cá, vamos cozinhar algo juntos então. Piadas bestas, risos
sinceros, paqueras entre eles e eu pensando que você também fica linda de
avental e suja de farinha.
Mais
um pouco de vinho, eu, você e o sofá. Conversas, risadas alteradas e um desejo
ficando cada vez maior. Eu sem saber o que fazer e quando fazer, nunca fui bom
nessas coisas, e fica mais difícil agora com você fazendo questão de esconder
seus sinais, ou talvez eu apenas não saiba interpretá-los. A taça pulou da sua
mão pra mesa de centro, você passou por cima de mim e me beijou. Mais e mais vinho
– mesmo que a ressaca nos castigasse -, menos e menos roupa. O sofá, a sala, o
chão, a cozinha, o quarto.
A
garrafa de vinho com bem menos da metade, a cama bagunçada, algumas peças de
roupa, e seu corpo, envolto num fino lençol branco que deixava suas costelas à
mostra. Essa foi a última cena que vi antes de adormecer. Acordei com a cabeça
latejando e descobri que não havia sido um sonho, vi seu rosto repousando sobre
o travesseiro e continuo achando que você fez algo no cabelo.
Pensei
que talvez fosse melhor levantar e arrumar um pouco a bagunça que tínhamos
feito, fui mas voltei pra cama assim que a dor de cabeça apertou, talvez deitar
e ficar um tempo quietinho fosse bom. Acabei caindo no sono de novo.
Acordei
com seus lábios no meu e com seu “bom dia” assim que percebeu meus olhos se
abrindo, “bom dia, meu amor”. Talvez eu devesse levantar, preparar o café,
pegar um remédio pra você e trazer tudo aqui na cama. Talvez eu devesse ficar
aqui com você, sentindo o calor do sol que entra pelas frestas da janela dando
um tom dourado à sua silhueta e ver meu sorriso refletido nesses seus olhos de
jabuticaba. Mas sabe? Eu quero ver como você fica linda andando descalça e
usando só a minha camisa por esses corredores que agora também são seus.
F-O-D-A Tá aí, o Mario Quintana da nova geração
ResponderExcluirFiquei sem palavras, sério. O impressionante é que você conseguiu captar cada mínimo detalhe do sexo. E também, tô impressionado com a forma que você construiu bem esse texto. Parabéns.